O documentário “Inocêncio – O Santo do Sertão” está sendo filmado em São Raimundo Nonato, no Piauí, e tem como objetivo resgatar a memória de Dom Inocêncio López Santamaria, bispo que viveu no sertão do Piauí combatendo a fome, a seca e o analfabetismo. A produção busca contar a história de um homem cuja vida e legado marcaram profundamente a região, tornando-o uma figura de devoção popular, considerado por muitos como santo, mesmo antes do reconhecimento formal da Igreja Católica.
Dom Inocêncio, que pode ser o primeiro santo a ter vivido no Piauí, foi responsável por transformar o sertão do estado, trazendo educação e infraestrutura para uma região antes carente. Sua atuação como bispo em São Raimundo Nonato marcou um período de grandes mudanças, e sua presença no Piauí foi vital para o progresso de diversas comunidades locais.
A produção do documentário, encabeçada pelo jornalista Rayldo Pereira com direção de José Quaresma e Márcio Bigly, está focada em destacar a importância de sua trajetória, mostrando o legado de Dom Inocêncio não apenas como líder religioso, mas também como uma figura que revolucionou a vida dos sertanejos. O filme explora, ainda, o processo de canonização em andamento no Vaticano, que tem atraído a atenção de estudiosos e devotos da região.
Para os moradores de São Raimundo Nonato, Dom Inocêncio já é, sem dúvida, um homem santo. Mesmo sem a confirmação formal da igreja, a fé e a devoção popular ao bispo são visíveis no cotidiano da cidade. O documentário propõe-se a apresentar essa devoção fervorosa por meio de uma estrutura baseada em entrevistas com estudiosos, religiosos e moradores locais.
O filme vai além de uma simples biografia ao capturar o impacto profundo que Dom Inocêncio ainda exerce sobre a comunidade de São Raimundo Nonato e outras localidades do sertão piauiense.
“Inocêncio – O Santo do Sertão” é uma produção cinematográfica realizada com patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), por meio do edital Lei Paulo Gustavo 01/2023 – Torquato Neto 1, oriundo da lei complementar nº 195/2022 – Lei Paulo Gustavo. O documentário, com sua abordagem simples e emocionante, promete tocar o coração de todos que acompanham a jornada de fé e devoção de um verdadeiro santo do sertão.
História de Dom Inocêncio
O Servo de Deus Dom Inocêncio López Santamaria nasceu na aldeia de Sotovellanos, na província de Burgos, comarca de Odra-Pisuerga, na Espanha, no dia 28 de dezembro de 1874.
Os pais de Dom Inocêncio, Eduardo e Vitória, eram muito pobres, tiveram quatro filhos, três morreram ainda crianças, ficando apenas Inocêncio, que aos 15 anos ingressou na Ordem das Mercês no Convento de Conjo, em Santiago de Compostela.
Desde sua entrega a Deus, dedicou-se inteiramente ao serviço do Reino. Assumiu diversas funções e responsabilidades na Ordem, até ser sagrado bispo em Poio, Pontevedra, no dia 31 de agosto de 1930, festa do mártir mercedário, São Raimundo Nonato, de quem era muito devoto.
Então, diante da necessidade de um bispo, em uma região muito carente do Brasil, Dom Inocêncio atendeu ao apelo do Papa Pio XI.
Logo chegou ao Brasil no dia 5 de janeiro de 1931, tomou posse no dia 18 de fevereiro do mesmo mês, no município de São Raimundo Nonato/Piauí.
Contam que o bispo chegou ao município após andar 12 dias a cavalo, da Bahia ao interior do Piauí. Lá encontrou uma região em absoluto atraso, sem energia elétrica, água potável, comunicação e nem estradas.
Mas nada o impediu de prosseguir com sua missão. Desde já, ele dava sinais de humildade, disposição e alegria, características comuns aos santos. Dom Inocêncio ficou conhecido no meio do povo de sua diocese como Santo Inocêncio.
Preocupação com os pobres de Deus
“O bispo tinha uma preocupação muito grande com a educação. Ele trazia professores para dar aula de latim, francês, música para a população pobre e acreditava que a cultura era também uma forma de desenvolvimento”, conta Frei Rogério Soares, padre Mercedário.
“…Dom Inocêncio chegava a colocar dinheiro em um envelope e pedia alguém para pôr debaixo da porta da família que passava fome. Ele não entregava pessoalmente para evitar o constrangimento”, atesta o Frei Rogério Soares, padre Mercedário.
A partir dos testemunhos e das obras se conhece a vida dos santos. Assim foi com Dom Inocêncio, em sua diocese. Ele era incansável e pregou o Evangelho, proporcionando a fé e a dignidade ao povo de Deus.
Ainda são atribuídas a ele a construção de mais de 28 escolas, somente na zona rural de São Raimundo; 700 km de estradas, poços, açudes e capelas; a fundação da Congregação das Irmãs Mercedárias Missionárias do Brasil e a formação de um clero natural da região.
Desta forma, fica claro o quanto Dom Inocêncio acreditava na transformação das piores situações sociais através da educação e de políticas públicas em favor do povo. Ele comprometeu-se com a salvação e foi até o fim.
Processo de canonização de Dom Inocêncio
“Embrenhava-se em matas e caatingas expondo-se ao cansaço, à fome, à sede, e ao calor impiedoso…realizou um duro e austero trabalho humanitário, social e cultural na região”, descreve Pe. Herculano – Ordem Mercedária.
Assim viveu Dom Inocêncio durante 26 anos como bispo, no estado do Piauí. Já com 80 anos, recebeu a ajuda de um bispo auxiliar e aos 84, sofrendo de um tumor no fígado, fez seu encontro definitivo com Deus, no dia 09 de março de 1958.
No entanto, sua fama de santidade era conhecida pelo povo. Seu funeral começou na Catedral de Juazeiro-BA, passou pela Catedral de Petrolina-PE, pela igreja de Remanso-BA, até chegar à Catedral de São Raimundo Nonato-PI, onde uma imensa multidão o aguardava.
Hoje seus restos mortais repousam no altar mor da catedral da cidade de São Raimundo Nonato. E em 2016, foi instalado o Tribunal Eclesiástico para a Causa de Beatificação e Canonização do religioso.
Dessa forma, a vida e a obra de Dom Inocêncio são estudadas pela Igreja através dos testemunhos colhidos, dos escritos deixados e dos milagres realizados.
“Dom Inocêncio foi um verdadeiro modelo para os bispos. Um exemplo perfeito, pelas suas virtudes e pelo seu espírito de trabalho. Carregando o peso dos seus 83 anos, prosseguiu trabalhando como sempre”, escreveu o bispo auxiliar Dom José Vázquez.
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